Imagina

         Se eu pudesse pausar o momento, fazer todas as vozes pararem de emitir som, congelar uma cena e poder modificar coisas que me deixam desconfortável ou apenas mudá-las em vão... só para estragar qualquer curvatura no espaço/tempo e ver no que iria dar. Nesse lugar normal, Ariane poderia transformá-lo em anormal, eu iria sorrir o tempo todo e ver as facetas paradas com caras diferenciadas, e claro, eu poderia até pintar-lhe o rosto de canetinha, desenhar borboletas rosas-choque nas paredes velhas e com rupturas, que assumem uma cor creme, feia parecendo um orfanato. Te cortaria o cabelo e viajaria em um mar de mudanças. Eu adoraria interromper. Quando a cena voltasse a se mover, cada átomo iria se mexer em um incrível estado de pânico, um escandalo estaria prestes a acontecer alastrando todas as pessoas e fazendo-as perceber que tudo havia mudado, que algo estava diferente e eles simplesmente não percebiam as mudanças no tal espaço/tempo, mas as sentiam.
          Iria rir e amar, contemplar o estrago, algo que eu sempre faço, interrupções, falas sem sentido, o meu jeito idiota e quase sem importância de ser. PENSO: (Será que há como congelar e interromper o tempo?  Eu poderia... poderia haver um jeito... ou simplesmente...) Mas não dá. Eu saio um pouco da realidade, mas a minha tristeza seria soprar com as minhas próprias palavras que isso não existe e que as vezes - ou boa parte do meu tempo - eu encaro a não-realidade, a mentira como refúgio para uma alegria indescritível, como se fosse minha necessidade psicológica, ou algum mantimento para uma alegria irrefutável.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O dia estranho que foi ontem