Verdade crua, na cara.
Eu estou encostada no meio do nada apreciando a vida do jeito que ela é. Os acontecimentos são vagos. Não temos certeza do o que trouxe aquilo ocorrer, nem o porque.
Mas o que mais me preocupa não é a morte, e sim o modo em que a vida acaba. Acho que nunca foi tão clara a certeza de falar que em um dia atrás eu presenciei o lítio, o vazio, a querida e incontestável morte. Eu posso te dizer que senti na pele a frieza e toda dor possível que já tive. Ver tudo aquilo tão visível a ponto de cair esborrachando-se no chão e chorar encolhida que nem uma pequena criança. O meu medo era perder tudo, era que quem estava na minha volta, dormisse para sempre.
Eu dei de cara com aquilo que todo mundo diz, uma espécie de limbo. Eu me vi soterrada, pisoteada não conseguindo sair, claustrofóbica dentro daquele cubo que eu dizia apertado. Mas dessa vez não foi como eu imaginava, o cubo se fechou e explodiu, eu caí feito vidro quebrado no chão, meus cacos se espalharam e eu senti o sangue rúbro escorrendo por toda parte, eu era um quadro apavorado feito de sangue. Não queria que nada disso fosse tão prejudicial, mas não para mim... para eles, eles sofreram, eles viram a menininha deles gritar, apavorada, desconhecendo seus rostos tristes, melancólicos e sem poder ajudar. Tudo foi muito surpreendente, poderia ter sido pior.
Estar embaixo de um grande monstro sujo e contaminado com manchas e catchup por todo lado e pessoas chorando com cabeças desordenadas, eu nunca quis ter isso. Com as feridas? Eu não me importo. Eu me importo é com a cabeça de quem sentiu e viu. Com o coração despedaçado e dilacerado de quem eu fitava, eu soluçava sem entender se havia vida ou não naquele corpo velho, e inabalável, firme que me criou. Agora eu digo que passou, o pior é claro, já passou. Eu sinto pena, ficaram bem, todos bem, mas eu sinto muito, eu lamento por eu não ter avisado, por eu não ter abraçado, perdoado, e tudo o que eu disse, tudo o que eu fiz, e sentir aqueles olhos rasgados tristes, com um corpo estável parado em uma maca, uma maca fria e suja, onde ninguém poderia ajudar, a não ser eu. Aquela pele de pêssego, que virou uma rosa de espinhos de vidro, cravados em uma pessoa tão doce, tão boa, ela era a minha mãe e só queria continuar sua vida.
Eu estou absurdamente feliz por tudo ter dado certo, nada deu errado, e hoje eu sinto pena de quem passou por isso, é difícil realmente, mas tudo tem um rumo e nada pode ser explicado e o que você pensava que era mentira, era verdade. A marca que ficou em mim vai ser a prova de que eu consegui sentir realmente o que é a dor, mas não aquela dor física, a dor de saber o quão importante alguém pode ser para você se não o valorizar todos os dias.
Ontem, eu sofri um acidente. O carro ficou de baixo de um caminhão, com meu padrasto e minha mãe. Todos estão bem agora.
20/09/2010 Verdadeira data do meu nascimento. Eu nasci de novo.
Mas o que mais me preocupa não é a morte, e sim o modo em que a vida acaba. Acho que nunca foi tão clara a certeza de falar que em um dia atrás eu presenciei o lítio, o vazio, a querida e incontestável morte. Eu posso te dizer que senti na pele a frieza e toda dor possível que já tive. Ver tudo aquilo tão visível a ponto de cair esborrachando-se no chão e chorar encolhida que nem uma pequena criança. O meu medo era perder tudo, era que quem estava na minha volta, dormisse para sempre.
Eu dei de cara com aquilo que todo mundo diz, uma espécie de limbo. Eu me vi soterrada, pisoteada não conseguindo sair, claustrofóbica dentro daquele cubo que eu dizia apertado. Mas dessa vez não foi como eu imaginava, o cubo se fechou e explodiu, eu caí feito vidro quebrado no chão, meus cacos se espalharam e eu senti o sangue rúbro escorrendo por toda parte, eu era um quadro apavorado feito de sangue. Não queria que nada disso fosse tão prejudicial, mas não para mim... para eles, eles sofreram, eles viram a menininha deles gritar, apavorada, desconhecendo seus rostos tristes, melancólicos e sem poder ajudar. Tudo foi muito surpreendente, poderia ter sido pior.
Estar embaixo de um grande monstro sujo e contaminado com manchas e catchup por todo lado e pessoas chorando com cabeças desordenadas, eu nunca quis ter isso. Com as feridas? Eu não me importo. Eu me importo é com a cabeça de quem sentiu e viu. Com o coração despedaçado e dilacerado de quem eu fitava, eu soluçava sem entender se havia vida ou não naquele corpo velho, e inabalável, firme que me criou. Agora eu digo que passou, o pior é claro, já passou. Eu sinto pena, ficaram bem, todos bem, mas eu sinto muito, eu lamento por eu não ter avisado, por eu não ter abraçado, perdoado, e tudo o que eu disse, tudo o que eu fiz, e sentir aqueles olhos rasgados tristes, com um corpo estável parado em uma maca, uma maca fria e suja, onde ninguém poderia ajudar, a não ser eu. Aquela pele de pêssego, que virou uma rosa de espinhos de vidro, cravados em uma pessoa tão doce, tão boa, ela era a minha mãe e só queria continuar sua vida.
Eu estou absurdamente feliz por tudo ter dado certo, nada deu errado, e hoje eu sinto pena de quem passou por isso, é difícil realmente, mas tudo tem um rumo e nada pode ser explicado e o que você pensava que era mentira, era verdade. A marca que ficou em mim vai ser a prova de que eu consegui sentir realmente o que é a dor, mas não aquela dor física, a dor de saber o quão importante alguém pode ser para você se não o valorizar todos os dias.
Ontem, eu sofri um acidente. O carro ficou de baixo de um caminhão, com meu padrasto e minha mãe. Todos estão bem agora.
20/09/2010 Verdadeira data do meu nascimento. Eu nasci de novo.
Comentários
Postar um comentário