A Caixa de Pandora

É difícil falar sobre isso. É difícil acreditar nisso. É difícil, para mim é realmente difícil e extraordinário.

       Eu ando mais perceptível, observadora compulsiva, uma espectadora genial encarregada para que os sentimentos fujam e se dispersem no ar. A minha forma de perceber o restante e a calmaria é simples. Eu deixo me levar pelo medo, angústia, desespero... os males que completam a minha caixa de pandora. E no momento em que eu tento segurá-los eles fogem repentinamente e eu tento pegá-los de forma tão desesperada, tentando guardá-los rapidamente, mas eles se vão tão rápido, me consumem por dentro e por fora eu só viro uma torneira, uma torneira que treme. Uma criança ridícula aos prantos tremelicando sem conseguir se manter firme.
        
      Eu fico tão
erradicada. Os outros percebem a falta de ânimo, o desgosto. O pior problema é eu notar isso e ser inepta. Eu fujo de tudo e só recorro aos meu medos, meus temores, a compressão social, um grande rolo compressor... que outra hora se torna flexível e maleável, a sociedade não é tudo isso. Ela é apenas isso. E eu não vejo as estrelas piscarem porque eu não as busco. Eu sou o que eu sinto. Só vou encontrá-las quando eu definir o que eu sinto, os meus pensamentos, as minhas expressões e os meus gostos. Eu sou errada e sou certa. Não tem julgamento plausível que me faça acreditar quem eu "sou". Só tem uma coisa que me faz querer voltar atrás, a aflição. Eu quero construir um novo saber, uma nova visão, interpretar de forma concreta as coisas que eu penso, as coisas que saem da minha boca. Só não vou deixar que os medos saiam junto
porque nessa Caixa de Pandora só existe a esperança.

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